Conheça a história do MC MM, o verdadeiro ‘Moleque Monstro’

Matérias 2017/04/19

*Todas as fotos por Rafael Casarin do Studio Storme, para o Portal KondZilla

Imagine você, morando em uma quebrada da Zona Norte de São Paulo, trabalhando como gerente em uma grande farmácia de São Paulo, com uma carreira promissora aos 23 anos, mas sonhando em ser MC. Até que um dia você decide largar tudo para correr atrás do sonho. Em resumo, foi isso o que aconteceu há três anos com o Márcio Rezende de Lellis, 26, o MC MM, autor dos sucessos ‘Social, Narga e Piscina‘, ‘Adestrador de Cadela‘, ‘Louco de Selvagem‘, ‘Agora é Patrão‘, além do mais recente ‘Mercenária Pé de Barro‘ – que ele jura que não foi inspirada em nenhuma mulher em especial. O MC aproveitou a boa fase no funk para viver de música, a decisão mais acertada que teve na vida adulta. Confira mais dessa história aqui, no Portal KondZilla.

Nascido na favela Serra Pelada, no bairro do Jaçanã, o MC MM – sigla para Moleque Monstro -, canta desde adolescência. Em 2005, ainda com 14 anos, subiu no palco pela primeira vez e desde então, o sonho de viver do funk virou um objetivo de vida. Até que em meados de 2014, ele decidiu tomar a difícil decisão de largar o emprego estável para viver apenas de música, contrariando o desejo da sua mãe.

“Sei que a decisão que tomei não é simples, minha mãe mesmo não acreditou quando disse que ia sair da gerência”, conta o MC, que ainda se diverte com essa história. “Mas eu acredito muito em mim e não tive medo de tomar essa decisão. Hoje tenho a certeza que foi a decisão certa”, conclui.

Mas vamos voltar no tempo e falar um pouco mais do ‘Marcinho’, o moleque que cresceu na Serra Pelada escutando – e cantando – rap, algo natural para aquela São Paulo no início dos anos 2000, que mal consumia funk.

O cantor explica que, certo dia, um amigo lhe prometeu passar uma batida de rap para ele fazer uma música. Mas digamos que não era bem uma batida de rap que MM recebeu. O cantor achou aquele beat parecido com o “Rap da Felicidade”, da dupla carioca Cidinho e Doca.

“Não era meu objetivo cantar funk”, adianta. “Mas eu já conhecia o Cidinho e Doca que tinham umas letras na pegada do rap. Quando esse meu amigo me passou a batida de funk, ao invés de uma de rap, eu me joguei nisso [no funk]” conta.

Mc Lello e Marcinho – Falsidade é Mato (2010)

Com uma noção apurada para composição, MM começou sua carreira no funk caminhando na vertente do consciente/proibidão, algo mais próximo da linguagem do rap e que fazia sucesso na Baixada Santista. Na época, ele cantava com o parceiro no projeto “MC Lello e Marcinho”.

A dupla era presença garantida no CEU Jaçanã, que fica a menos de 1km da casa do MM, e o espaço serviu como uma escola de música para o MC. Lá a dupla compunha e ensaiava para os bailes, além de passar as tardes livres jogando bola.

Cantar era um hobby que o MC tinha que conciliar o sonho com o trabalho. Na época, por diversas vezes, chegou a fazer bailes de graça. “Não foi moleza chegar onde eu estou hoje. No começo, muitas vezes eu cantei de graça, não pagavam nem uma água ou uma condução”. Certa vez, ele teve que voltar a pé do Brás até o Jaçanã – mais de 13 quilômetros de caminhada. “Um dia desses estive no Brás e lembrei que um dia cantei num baile e tive que voltar pra casa, no Jaçanã, a pé. Mano, foi uma caminhada, viu?! (risos)”.

Depois de algum tempo junto do parceiro, as ideias de Lello começaram a entrar em conflito com o que Márcio pensava, e isso deu ruim no projeto. Quase na virada da década, a dupla chegou ao fim e o Moleque Monstro, apelido que herdou do tempo de escola, quando escrevia seus raps, se transformou no seu artístico: MC M.M.

“Nessa época, eu fazia ostentação, porque era o que tava pegando. Porém, eu sempre tive facilidade em compor. Então quando a putaria estava em alta, em também mudei, comecei a escrever de uma outra forma”, explica o cantor, que faz questão de agradecer ao MC Menor da VG, amigo de longa data, pelo incentivo no funk. E foi graças as letras ousadas que o cantor começou a crescer no funk e alcançou o sucesso, principalmente nos fluxos de favela.

Mas, como diria o Tio Ben, “com grandes poderes, vêm grande grandes responsabilidades”. E, após entrar em uma das produtoras musicais do segmento, ele precisou decidir entre o emprego e o funk. E Márcio escolheu a segunda opção.

Porém, o cantor mal teve tempo para ficar com dúvida se tinha feito a escolha certa ou não. O hit ‘Vai Bater o Sinal’ (2015) foi sucesso nas ruas e mostrou que o MC fez uma decisão acertada. “Sempre confiei em mim”, resume MM, orgulhoso da sua trajetória.

Filho do meio, Márcio mora com seus outros dois irmãos, sua mãe e sua namorada. A casa de hoje é a mesma da sua infância e MM diz que não pretende sair da comunidade da Serra Pelada. “Aqui, eu conheço todo mundo, meus amigos moram por aqui, meus familiares moram por aqui. Sinceramente, não vejo porque eu moraria em outro lugar”. Aliás, foi na comunidade que o MC nos recebeu para contar sua história.

Hoje, o MC MM é um dos artistas da KondZilla Records e se orgulha de ter estourado por todo Brasil e também, com o seu trabalho, ter ajudado sua família, que agora apoia o sua decisão. Principalmente sua mãe.

Aproveitando a nova fase na carreira, o Moleque Monstro está com novas ideias e parece que vem mais sucessos como ‘Social, Narga e Piscina’ por aí. Ele adianta: “Nessa minha nova caminhada, vou tentar inovar. Já estou produzindo músicas mais lights, com letras mais suaves. Esse é o futuro do funk, algo que possa agradar tanto a favela, quanto o pessoal de outras classes e lugares”.

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