Dadá Boladão apresenta o bregafunk de Recife

Música 14/02/2018

*Todas as fotos por: Felipe Max // Portal KondZilla

Você pode até não conhecer o Dadá Boladão, mas pode ter certeza que os seus artistas favoritos o conhecem. O cantor pernambucano teve suas músicas gravadas por Solange Almeida (num dueto com Ivete Sangalo) e Wesley Safadão. Também fez uma parceria com Aldair Playboy e vira e mexe o seu som aparece animando o dia do casal Léo Santana e Lore Improta nos Stories do Instagram. Além disso, Dadá já tocou em eventos ao lado de MC G15, MC Livinho, Neguinho do Caxeta, MC Davi entre outros tantos, aproximando-se o ritmo nordestino da cena do funk paulista. Entenda mais da trajetória desse ídolo do bregafunk agora, no Portal KondZilla.

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Alef Flávio Duarte Pereira — o nome verdadeiro de Dadá Boladão — é um dos nomes na linha de frente do bregafunk, um movimento que acontece nas periferias de Recife, desde 2011 (pelo menos) e que vem expandindo-se nacionalmente nos últimos anos.

Para entender o que é bregafunk é preciso voltar um pouco no tempo. O Nordeste possui uma tradição bem antiga de música romântica, que embala as danças em pares nas festas e também consola as dores de amor no bar. Em Recife, esse tipo de som é chamado brega e teve como “rei” o cantor Reginaldo Rossi, além do Conde Só Brega nos anos 1960 aos 1980. Conforme novas tecnologias foram chegando na região, o som e o visual do brega romântico se atualizou. Nos anos 2000, impulsionados por programas de auditório, artistas como Kelvis Duran e bandas como Kitara, Ritmo Quente e Vício Louco já faziam um som diferente, com influências do arrocha e tecnomelody, abusando dos teclados. Outros, como Michelle Melo & Banda Metade, injetaram as primeiras doses de erotismo nas músicas.

Ritmo natural desta década, o bregafunk vem deste contexto, porém com novas influências: o visual hip hop, o ritmo acelerado do tecnobrega e, principalmente as letras do movimento funk. Foi assim que músicas como “Novinha, Tá Querendo o Quê?” e “Posição da Rã” (ambas de MC Metal e Cego), “Beijo de Tabela” (Afala & Case e MC Sheldon), “Quer Não é Carai?” (MC Troia e MC Metal) e “Mundo da Putaria” (Trio Ternura com Dadá Boladão e MC Japão) estouram nos celulares, nos carrinhos de CDs pirata, nos sons de carro e por todo Recife.

Dadá Boladão também estava nas origens do movimento. Em 2011, formou uma dupla com o MC Tocha e emplacou hits como “Duelo de Gaia”, “Eu Na Minha e Tu na Tua” e “Quero Ver”. Diferente da maioria dos MCs da época, a dupla também gravava (com bastante sucesso) músicas apaixonadas como “Vai Embora” e “Me Perdoa” e continuou atualizando seu estilo em sucessos como “Sensualize”.

Com dois DVDs no currículo, Tocha e Dadá encerram a dupla sem brigas em 2016. Em carreira solo, os dois são nomes importantes da cena, mas é Dadá Boladão quem lidera o movimento de exportação do bregafunk para o resto do Brasil. Em maio do ano passado, o cantor foi o primeiro — e até agora o único — MC de Pernambuco a assinar contrato com uma grande gravadora, a Sony Music. Em setembro daquele mesmo ano, ele lançou o álbum “Explodindo o Grave”, que reuniu o fino do seu repertório: “Revoltada” (depois gravada por Solange Almeida em seu primeiro DVD com participação de Ivete Sangalo), “Vai no Chão” (com Aldair Playboy”), “Coisa de Novela”, “De Ladin” e outras mais.

Aliás, “De Ladin”, que ganha clipe no Canal KondZilla e será lançado amanhã, 15/02, é possivelmente o som mais inovador do bregafunk nos últimos cinco anos. Com menos de dois minutos, a música une um toque de arrocha com o pontinho agudo do funk paulistano e as cornetas do ritmo dos MCs recifenses. Tudo isso numa mistura envolvente ancorada por um grave de tremer janelas. Dadá Boladão é o cara que está construindo uma ponte sólida entre o som de Recife e São Paulo, sem deixar de perder o seu estilo próprio.

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