A dança “Passinho” vira patrimônio cultural do Rio

Dança 22/06/2018

Parece repetitivo, mas é sempre bom lembrar: o funk é cultura. Nessa quarta-feira, 20 de junho, tivemos mais uma prova disso. A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou um projeto de lei que dá ao passinho o título de Patrimônio Cultural Imaterial do povo carioca. Muito mais que um título simbólico, essa é mais uma conquista para um dos pilares da cultura baile funk – que também é considerado patrimônio cultural. O Portal KondZilla te explica essa história tim-tim por tim-tim. Saca só:

Como já explicamos aqui no Portal KondZilla, a história do baile funk no Brasil pode ser contada através das suas danças. Cada momento da história da música, teve também sua dança característica. No começo dos anos 2000, quando o funk subiu os morros, o “passinho foda” nascia, chegando ao seu auge no final da década e sendo “modelo” para os paulistanos criarem o “passinho do romano” e o “passinho dos maloka”.

Se pra ser oficial tem que estar no papel, então agora é oficial. O projeto surgiu em 2017 e é de autoria da vereadora Verônica Costa (MDB), e estava em tramitação desde o ano passado. “É preciso que se reconheça e incentive a cultura gerada nas comunidades. Vivemos um momento delicado … A dança é responsável por amenizar a tensão entre diferentes favelas, uma vez que os dançarinos têm a capacidade de ultrapassar barreiras que separam territórios comandados por traficantes rivais”, explicou a vereadora, em entrevista ao G1.

Em outubro do ano passado, trocamos uma ideia com alguns dançarinos cariocas que reforçaram essa ideia. “No Rio de Janeiro temos as rivalidades de facções, por exemplo, e a pessoa de tal morro encontra dificuldade pra frequentar outra comunidade. Mas pra gente que vive de passinho, a situação é outra”, explica Marcelly, moradora do Morro dos Macacos, na Zona Norte. “O dançarino é reconhecido como um profissional, tem o respeito mesmo”, disse Marcelly IDD, uma das dançarinas do grupo “Os Clássicos do Passinho” (CDP).

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Foto: Reprodução // Facebook

Para entendemos melhor essa história, trocamos uma ideia com duas pessoas importantes para o cenário do carioca: Mateus Aragão, um dos idealizadores e integrante do coletivo “Eu Amo Baile Funk”, além de organizador do Rio Parada Funk, e William Severo dos Santos, o Severo, também integrante do coletivo “Eu Amo Baile Funk” e um dos líderes do grupo “Imperadores da Dança“.

“Essa é uma conquista não só do movimento do passinho, uma dança totalmente original, mas de todo o movimento funk, que teve uma das suas danças mais importantes reconhecidas, o que é algo muito legal. Torcemos agora para que isso tenha algum resultado prático, principalmente no que diz a perseguição que essa cultura sofre”, diz Mateus.

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Foto: Reprodução // Facebook

“Fiquei muito feliz com a notícia, mas não fiquei surpreso. Pra mim, o passinho foda sempre foi cultura e um ato de resistência. Nossa dança é algo muito popular, foi destaque nos Jogos Olímpicos, a Dilma, ex-presidenta, já dançou, e foi parar também no Teatro Municipal. Essa foi a primeira vez que o funk entrou lá, com todo mundo de regata e bermuda”, explica Severo. “O passinho foda não é uma moda, e isso agora tá registrado”.

A pergunta agora é: quando o funk de São Paulo também terá esse reconhecimento?

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