Documentário relembra a história do MC Zóio de Gato

Mini-Docs 1 semana atrás

Lá em meados de 2007, quando o funk nem engatinhava em São Paulo, um moleque entre seus 14 anos assustava geral com seu talento e suas letras que faziam todo mundo cantar. O MC Zóio de Gato, como era conhecido Denner Augusto Sena da Silva, marcou uma época e morreu precocemente em um acidente de carro no ano de 2009, com 16 anos de idade. Para deixar registrado a importância do seu trabalho para todo o movimento de funk paulista, uma turma se reuniu para produzir o documentário “MC Zoi de Gato – A voz da favela” sobre o cantor, que foi lançado no última sexta-feira (13). O Portal KondZilla vai te explicar tudo agora, saca só.

Cria da Vila Natal, Zona Sul de São Paulo, Denner começou a cantar inspirado no movimento do Rio de Janeiro. Entre seus principais sucessos sucessos temos “Águas Limpas e Sujas” e “Amor É Só de Mãe“, que já somam milhões de visualizações no YouTube.

Despontando num cenário quase inabitado, o MC Zóio de Gato era uma exceção da exceção. Enquanto São Paulo importava MCs do Rio de Janeiro e da Baixada, muitos deles maduros e mais próximo dos 30 do que dos 20, o garoto da Zona Sul ainda tinha seus 15 anos quando suas músicas se proliferavam pelas periferias.

Porém, no dia 9 de abril de 2009, a carreira do MC foi interrompida por conta de um acidente de trânsito em Parelheiros, quando pegava uma carona voltando de um baile na casa Maria Mariah.

Visando eternizar a memória do MC Zóio de Gato, o produtor de conteúdo Kelvy Lopes, responsável pelo canal homônimo no YouTube, decidiu produzir um documentário retratando a vida e a obra do cantor. Mesmo sem ter conhecido Zóio de Gato pessoalmente, o youtuber disse que era fã de carteirinha do cantor.

“Era final de janeiro de 2018. Eu tava no carro escutando umas músicas do Zóio de Gato e logo pensei: ‘pô, não tem nada falando sobre a carreira e a morte dele”, explica Lopes. “Falei com um pessoal e decidimos tocar esse projeto. Infelizmente, pouca gente sabe da importância dele para o funk de São Paulo. Com 15 anos, ele já dava aula, era algo muito especial”.

No total, Lopes e sua equipe despenderam um mês para realização do projeto. Entre os entrevistados, estavam familiares e amigos do MC, que se reuniram em diversos pontos da Vila Natal para contar um pouco sobre a vida e a carreira do jovem.

Um dos entrevistados é o cantor MC Brankim, que inclusive estava junto do Zóio de Gato no dia de sua morte. Emocionado, ele explica que conheceu o moleque durante um dos bailes da época e logo teve a certeza que ele era especial – não só pela pouquíssima idade, mas também pela sua visão a frente do tempo.

“Lembro do dia da morte dele como se fosse hoje. Ele [Zóio de Gato] foi pra esse baile de ônibus, porque o funk não dava rios de dinheiro como hoje. Foi numa quarta feira, trombei ele no “Maria Mariah” [casa noturna], tiramos uma onda, ele fez o show e eu fui embora”, explica Brankim. “Depois, acordei com a ligação de que ele tinha sofrido o acidente, porque tava voltando pra casa de carona. Até hoje é difícil de acreditar, com certeza ele seria um cara estourado hoje em dia”.

Um dos organizadores dos bailes, Fernando Silveri, o Ferrugem, explicou que torceu o nariz para deixar Zóio de Gato subir no palco. Porém, com o tempo, teve que ceder ao talento do garoto, que era pedido a todo momento pelos fãs e não parava de lançar sucessos (que estavam na boca do povo).

“Ele era meio envergonhado, mas quando subia no palco se transformava. No começo, não queria ver ele cantando, porque ele só cantava proibidão. Passou um tempinho, ele veio com umas letras novas, mais de boa e daí não teve como segurar. Todo baile a galera pedia ele pra cantar, era uma coisa absurda”.

Se você ainda não conhece um pouco da história do MC Zóio de Gato, esse documentário é uma ótima pedida. Hoje em dia, diversas crianças pelas quebradas do Brasil a fora sonham em fazer sucesso cantando funk. O menino Dener realizou esse sonho enquanto muitos MCs, que são estrela hoje, mal sabiam o que era funk. Ele foi um pioneiro que abriu a estrada dos muitos que trilham hoje. Um talento que se foi precocemente, mas que ficou marcado na história da cultura do baile funk.

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