Em tempos de sarrada, o passinho de Fezinho Patatyy resiste

Matérias 2017/05/29

*Todas as fotos por: Ryck Rodriguez // Portal KondZilla

O ‘passinho do romano’ nasceu como homenagem ao ‘Magrão’, um cara do Jardim Romano, Zona Leste de São Paulo, que costumava dançar uma mistura de break dance com funk. Um dia, Pedro Felipe de Jesus Dias, 20, hoje conhecido como Fezinho Patatyy, decidiu gravar um vídeo homenageando o Magrão e dando uma incrementada na dança. Bom, o restante é história. O vídeo se popularizou rapidamente e o passinho do romano ficou conhecido ao redor do globo, enquanto Patatyy virou sinônimo da dança. E já que vivemos em época de “sarradas”, pedimos pro dançarino contar pro Portal KondZilla sobre a evolução do passinho, que já encantou desde a Banda do Mar até o DJ KL Jay, do Racionais MCs e sua nova fase como MC. Confira agora:

E falando logo sobre a moda do momento, a sarrada, Fezinho dá o papo e uma dica para quem quer dar A-QUE-LA sarrada:

“Fico muito feliz em ver o pessoal dando sarrada por aí, já vi vídeos de várias pessoas famosas, tipo o Neymar, o Robinho, ator da Globo, além dos funkeiros, tipo o Kevinho, que levou a sarrada para um outro nível”, elogia o dançarino. “Mas acho que não existe sarrada sem o passinho do romano, ou o passinho sem a sarrada (risos)”.

Nascido em Itabuna, na Bahia, Pedro se mudou para São Paulo ainda criança. A dança sempre fez parte da sua vida e o garoto que não parava quieto quando menor, chamou a atenção do pessoal pela malemolência.

“Desde criança, na Bahia, eu não ficava parado, costumava dançar axé, pagode… Quando vim para São Paulo, conheci o funk”, explica Fezinho.

Um pouco mais velho, o garoto conheceu “Os Hawaianos”, grupo de dançarinos cariocas que também cantava funk e fazia bastante sucesso pelo Brasil. E foi inspirado neles que o garoto decidiu ser um dançarino, usando principalmente músicas de funk.

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Incentivado pelos amigos, ele decidiu gravar alguns vídeos dançando. Com o celular da mãe, ele fez seu primeiro vídeo e subiu no YouTube. No início da década, 300 visualizações no YouTube e um burburinho no famigerado Orkut já eram motivos para Fezinho acreditar no sucesso. Mas o melhor ainda estava por vir.

“O quinto vídeo que fiz pensando no YouTube foi o que impulsionou. Todo mundo comentava, eu nem acreditava que tinha feito tanto sucesso. Hoje, são 55 milhões de visualizações”, confessa orgulhoso o dançarino.

A estética e a maneira de gravar os vídeos mudou pouco nesses três anos de canal. Fezinho continua gravando seus vídeos na laje da sua casa, em Burgo Paulista, de forma totalmente improvisada. Ele garante que não há coreografia – muito menos erros de gravação. “Faço tudo em cinco minutos. A graça é essa, é fazer de repente e de primeira. Só tem coreografia quando tem alguma participação especial”.

Parte dessa estética também fez com que Fezinho colocasse um ‘pé’ em outra cultura periférica: a cultura do hip-hop. O fundo onde os vídeos são gravados são grafitados, e mudam conforme as épocas. Já foram mais de cinco pinturas diferentes. Assim, de forma indireta, o garoto dança, apoia o grafite e agora arrisca cantar, unindo três dos quatros movimentos do hip-hop (o 4º é o DJ).

Toda essa espontaneidade chamou a atenção de muita gente. Inclusive do público de fora do funk. Fezinho fez uma participação especial na música “Mais Ninguém” da Banda do Mar, trio formado pelo casal Mallu Magalhães e Marcelo Camelo, além do português Fred Ferreira. Além de ser protagonista no videoclipe “Roman Battle“, do produtor Carlos Nunez.

E essa versatilidade em dançar deixou uma dúvida no ar: existe música que não dê para dançar? Principalmente, o ‘Passinho do Romano’? Fezinho responde:

“Não existe, acho que toda música dá para dançar”, explica. O dançarino aproveita para falar sobre o atual momento do funk. “O que eu danço mais é funk, porém com a onda da putaria, fica um pouco mais difícil, porque a letra também me ajuda. Mas não é algo que não dê para dançar”.

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Hoje, além do sucesso como dançarino – seu canal no YouTube já conta com mais de um milhão de inscritos -, Fezinho se arrisca também na carreira como MC. E a nova empreitada vem dando certo. O “Passinho dos Malocas” encaixa os vocais do dançarino, com uma dança coreografada. E se tratando de Fezinho, digamos que a dança já tem um símbolo de qualidade garantido.

Pedro Felipe, se diz feliz com o momento atual e ainda não sabe se pretende dar prioridade pra carreira de cantor ou de dançarino. Até porque, ele diz que ainda tem alguns sonhos para realizar antes de tomar um rumo final para a carreira.

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“Eu decidi cantar por conta do MC Daleste. Sou fã dele e depois da sua morte, tomei coragem para cantar também. Agora tenho um trabalho estabelecido, com videoclipe e o público está gostando, então quero continuar [dançando e cantando]. Ainda quero gravar música com muita gente, mas meu sonho mesmo é dançar com o Nego do Borel. Ele é pica demais! (risos)”, finaliza o garoto.

Acompanhe o trabalho do Fezinho Patatyy pelas redes sociais: Youtube // Facebook // Instagram  .

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