Entenda mais da profissão de compositor, com a história do 2N

Matérias 2017/03/20

O compositor 2N

Aos poucos, a estrutura mercadológica do funk vai ficando cada vez mais clara para todos. Entre os diversos profissionais que estão nesse segmento, a de compositor é uma das menos conhecida e também uma das mais difíceis. Como já contamos com a história do MC Davi, no funk, nem sempre a música que um MC canta foi escrita por ele. E esse é o caso do compositor Anderson Lourenço, 28, o 2N, que escreve músicas para outros MCs e a Kondzilla foi entender mais desse mercado do funk.

2N é um dos compositores de funk mais bem sucedidos na Baixada Santista, e ao mesmo tempo subvalorizado. O compositor já escreveu letras para cantores consagrados, como o MC Menor do Chapa e  o MC Neguinho do Kaxeta.

Mas o problema do 2N não é o currículo, e sim o preço em que se cobra por música – que pode estourar ou não. E com a alta volatilidade que o funk tem, os créditos ao compositor acabam ficando de lado. E aí é onde mora o problema da profissão.

Diferente das mansões e dos carros importados de grandes artistas do cenário do funk, Anderson mora no bairro Jardim São Manoel, um dos bairros mais periféricos de Santos, cidade que faz parte da Baixada Santista, no estado de São Paulo.

“Muitas vezes eu me chateio, até porque [a falta de reconhecimento] é muito por conta do ego”, explica o compositor, ao contar sobre o atual cenário do funk. “Por exemplo, você vê que no sertanejo, que tem um faturamento muito maior que o funk, os compositores são exaltados e têm o trabalho reconhecido, até na questão financeira”, compara 2N, ao falar sobre os retornos financeiros de vender uma composição.
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O compositor não chegou ao mercado de funk atoa. 2N conta que sempre gostou de funk e, há uns 15 anos, quando o funk era o ritmo do momento na Baixada Santista, tentou se aventurar como MC, porém não obteve sucesso.

“Ah, esse é o sonho de muitos moleques na quebrada, e era o meu também. Mas logo percebi que não era o meu talento, eu era muito tímido para subir no palco” conta. Mesmo assim, esse tempo de experiência como MC serviu para Anderson começar a praticar seu talento para compor.

À época, boa parte dos MCs também eram compositores das suas músicas – que na maioria eram funks conscientes. Boa parte desses cantores serviram de inspiração para o compositor santista.

“Eu ouvia muito Souza e Valdir, Danilo e Fabinho, Duda do Marapé, entre outros. Eles foram minha inspiração, não só como artistas, mas como compositores mesmo”.

E desde meados de 2010, quando começou a levar a sério o trabalho de composição, 2N já compôs trabalhos para os MCs Menor do Chapa (Armado de Pensamento), Neguinho do Kaxeta (Time de Monstrão), Boy do Charmes (Charme Chave), entre outros.

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Mas quando eu digo ‘levar as composições a sério’, é conseguir conciliar essa questão com seu outro trabalho em uma transportadora, como ajudante. Apenas em 2016, o trabalho como compositor virou algo único.

‘’Eu conversei com a minha mulher e vi que não era uma loucura viver só das composições. Eu tento fazer minhas coisas todas da forma certa, registrando minhas músicas, sempre buscando apenas o que é meu” explica.

Diferente da profissão de MC, que ganha pelo show cantado, a profissão de compositor é remunerada de duas formas: na hora de vender a música para o MC e no registro em algum escritório de arrecadação.

Após o registro, toda vez que a música for executada em algum programa de rádio, TV ou até mesmo no show, isso gera uma porcentagem para o compositor, sem isso ter que passar pelo MC. Por isso, 2N ressalta a importância de ter um trabalho registrado.

E mesmo se dedicando exclusivamente a carreira de escrever músicas, seu trabalho ainda é visto como hobby por muitos no mundo do funk. Até por isso, procura se precaver legalmente, registrando suas músicas.

“Cheguei a ouvir várias vezes que meu nome não era ‘forte’ para o cara pagar pela minha música”, lamenta o produtor. “Chorei várias vezes, mas nunca desisti”.

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Anderson explica que não tem uma fórmula para compor e procura se atualizar com as vertentes do momento, mesmo preferindo escrever musicas de funk consciente. No entanto, estuda a maneira de trabalhar do cliente e tenta moldar a letra para o jeito de cantar de cada músico.

O compositor também comenta que não entende – muito menos, se mete – no ramo de produção musical. Escutar funk no dia-a-dia e ir a bailes também não faz parte da rotina de Anderson .

“Meu trabalho é durante 24 horas, sete dias por semana, pensando em música. Evito escutar muitos funks, para não pegar referências de músicas do mesmo ritmo, pois acaba virando algo chato”, explica.

O dinheiro que vem das composições ainda não é abundante para 2N, mas ainda assim ele consegue viver com a sua mulher e duas filhas crianças. Porém, o amor pela música faz ele acreditar em dias melhores.

“Não estou aqui para brincadeira, quero que o pessoal entenda que isso é uma profissão, assim como em outros ritmos como pagode, axé, sertanejo e vários outros”.

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Confiante de que o mercado vem amadurecendo aos poucos e os trabalhadores do funk estão se tornando cada vez mais profissionais, 2N se mantém firme nas composições e está aberto para receber pedidos e mostrar letras para MCs que, às vezes, sentem dificuldade de expressar com palavras o que estão pensando. Afinal, duas mentes pensam melhor do que uma.

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Autor:
Guilherme Lucio da Rocha

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