Rennan da Penha é o cria da “putaria acelerada”

Música 2 semanas atrás

“Pra molecada do Rio de Janeiro, o funk em 130BPM tá morto”. Essa sentença é de autoria do Renan Santos da Silva, 24, vulgo Rennan da Penha, um dos responsáveis pela inovação na batida carioca que vem chamando a atenção de todos – como já falamos neste texto. Alguns chamam só de 150BPM, outros de “putaria acelerada” e até “atabacada”, mas independente de nomes, essa nova vertente trouxe uma nova geração pro baile funk carioca e mudou muitas coisas por lá. E para entender tudo isso, o Portal KondZilla procurou o produtor, que soltou a sentença que abre a matéria e para saber mais.

Pra você que nunca ouviu falar, BPM é a sigla para “Batidas Por Minuto” – ou seja, o que determina o ritmo da música. O funk tradicional está em 130BPM. Só que uma molecada do Rio de Janeiro, puxada por Renan, decidiu dar uma acelerada na parada deixando o ritmo em 150BPM.

“Eu sempre usei o Acid [programa de edição de música] e certa vez, lá em meados de 2015, ele acelerou a produção lá pra uns 137, 140BPM. Dei risada, achei engraçado, mas botei na pista e a galera do [morro do] Juramento onde eu fazia uns bailes, e geral gostou”, conta o produtor, durante entrevista por telefone.

“Não botei muita fé, até que uns meses depois, o Rodrigo Fox, da Nova Holanda, me chamou e falou que também tinha acelerado. Pensei que tava de boa ainda, só que ele tinha acelerado pra 150BPM. Eu falei: ‘mané, tu tá maluco? 150BPM é acelerado demais’. Mas na Nova Holanda já tinha virado febre, baile lotado, geral pedindo putaria acelerada. Daí eu embarquei na onda”, explica Rennan.

Pronto, o que começou quase como um erro virou febre. Hoje, por conta do sucesso dos 150BPM – que virou até nome do estúdio em que Rennan trabalha -, o rapaz prodígio do morro da Penha faz mais de 20 shows num fim de semana (entre sexta-feira e domingo). E olha que ele começou a discotecar e produzir lá em meados de 2009, alcançando o sucesso só agora.

Mas nem sempre mudanças são bem aceitas. Tem um pessoal das antigas que não curtiu muito esse negócio todo de acelerar o funk. As tretas foram tantas que essa nova escola foi batizada até de “assassinos do tamborzão” e também “assassinos da cultura do funk”. Só que a nova escola parece não estar ligando tanto para as críticas. E ainda faz questão de reforçar que aceita aquelas que são construtivas.

“Tem uns caras que vem até a gente, mete o pau e tal. Pra esses, eu cago e ando”, explica Rennan. “Mas tem uns que vem falar coisa construtiva, pensando na evolução do funk. Esses têm o seu valor”. Afinal, o produtor leva a sério o trabalho que faz.

Só que essa história de 150BPM não é bagunça. Existem alguns produtores que apenas aceleram músicas que fizeram sucesso no formato do 130BPM, como também têm aqueles que “transformam” produções já existentes em 150BPM, se apropriando de músicas já produzidas. Rennan explica que o movimento não funciona assim e que essa galera só atrapalha essa nova tendência do funk carioca.

“Se [o 150BPM] fosse tão ruim, não ia lotar baile de comunidade na pista com 10, 15 mil pessoas. Tem um pessoal que não quer se adequar, quer viver de passado. E já era, já foi, mané. Têm aqueles que zoam o barraco, fazem a parada de qualquer jeito”, diz Rennan.

De personalidade forte, ele também faz questão de deixar sua opinião bem clara. “Pro pessoal da nova geração, tá difícil de tocar em 130BPM. Então, pra molecada do Rio de Janeiro, o funk em 130BPM tá morto”.

Você pode até não gostar dessa tal de ‘putaria acelerada’, mas tem que concordar que foi uma novidade que colocou o funk carioca de novo no mapa. Claro, sem esquecer outra novidade de lá, o arrocha funk, que também já foi abordado pelo Portal KondZilla e reforçado por um dos maiores nomes da história do baile funk, GrandMaster Raphael.

Todavia, Rennan não é do tipo que sai se envolvendo em todo tipo de treta. Para ele, o 150 é uma evolução da música, e as diferenças entre Rio e São Paulo, é outra coisa.

“O Rio de Janeiro tem muito talento. Xará, se você subir em qualquer morro aqui, você encontra pelo menos um MC, um DJ e um produtor bom, que tem futuro na música. Só que aqui, não tem investimento”, explica Rennan comparando com o profissionalismo dos paulistanos. “Tem MC carioca estourado que não tem um videoclipe. P*rra, isso não existe. Além de que, tem empresário aqui que suga o MC e gasta todo o dinheiro na gandaia, sobe o morro e torra tudo em bebida e piranha”, reclama.

Para reforçar sua explicação, Rennan dá o exemplo do carioca MC GW, que “conseguiu estourar graças a estrutura de São Paulo”, segundo as palavras do DJ.

Fã das produções do paulistano DJ Perera e do carioca DJ Selminho, o moleque da Penha acredita que o funk ainda tem muito para mudar, e ele pode ter certeza que parte dessa revolução passou – e ainda vai passar – pelas suas mãos.

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