Se o verão de 2017 foi do Jorgin, ele avisa: tem mais por vir

Matérias 2017/03/21

O ano de 2017 mal começou e o produtor musical Jorgin ainda não sabe como conseguiu acumular mais de 500 milhões de plays nas músicas que produziu no final do ano passado. Com apenas 22 anos, Jorge Lemes Ferreira foi o nome mais desejado entre os artistas de funk para garantirem um sucesso, e alguns deles conseguiram, como: MC G15 com “Deu Onda”, MC Kevinho com “Olha a Explosão” e “Tum-ba-la-tum”, MC Dedê com “Pam Pam Pam” e, bem, o restante você confere nessa conversa que a Kondzilla teve com ele.

O produtor musical Jorgin é natural da Ponte Rasa, região que fica na Cangaíba, Zona Leste de São Paulo. Fascinado por música, ele entrou nesse ramo por pura curiosidade. De 2008, momento que lembra ter começado no funk, até agora, o produtor já teve diversas parcerias e sociedades que nunca vingaram. Foi então que, desejando autonomia financeira e musical, caiu de cabeça na carreira solo como produtor musical. O resultado? Podemos dizer que o Verão de 2016 foi todo do Jorgin.

Compareci ao estúdio do produtor para sacar mais dessa história toda. Quando encostei com o táxi, vi uma casa judiada pelo tempo, com um portão de menos de 1 metro de altura, e uma porta. Quem me recebeu foi a Dona Ivani, muito atenciosa e educada. Ela perguntou se eu tinha marcado horário e me convidou para entrar. Naturalmente, aceitei. O horário de verão havia acabado no dia anterior, mas o calor ainda castigava.

Logo que entrei, um grupo de Porto Alegre aguardava por ele também. Um bonde de 4 MCs e um produtor atravessou 3 estados de carro para gravar com o DJ Jorgin. Muito ansiosos, eles também estavam admirados com a beleza e o requinte do lugar. Lembra que falei da casa judiada? Lá dentro, o local estava recém inaugurado. O estúdio começou a funcionar em Abril de 2016, e tudo estava novo e organizado.

Jorginho logo me recebeu e confessou a confusão. “É que agora tem tanta gente marcando horário comigo, que não lembro mais”, conta o produtor, enquanto falava de outras datas com jornais que o procuraram também. Muito atencioso com todo mundo, pediu a Dona Ivani para comprar um lanche para os meninos do Sul e “pegar algo gelado também, porque está muito quente”.

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Se você não ficou dentro de uma caverna durante os últimos 3 meses, deve saber que a “Deu Onda” (mais de 200 milhões de visualizações), hit absoluto do MC G15, foi produzida pelo Jorginho. “Olha a Explosão” (150 milhões de visualizações), do MC Kevinho, também foi dele. Para você sacar do que estou falando, a soma das visualizações dos dois videoclipes produzidos pela Kondzilla ultrapassam a marca dos 320 milhões – lembrando que estamos falando dos números só dos videoclipes.

E por sorte, o produtor vive num momento onde os produtores musicais são reconhecidos, e agradece por isso. “É bom né (risos). A verdade é que [a profissão] nunca teve o reconhecimento, ficava sempre pelos bastidores, nunca tinha o destaque”. Afinal, o MC é a voz da música. A batida, a melodia e a construção musical fazem parte do trabalho do produtor. Como ele diz, MC e produtor trabalham juntos. “Isso mostra que o DJ tem, praticamente, 50% de participação [no trabalho], as vezes até mais. E muitas vezes não tem o valor e o reconhecimento devido”.

Muito tímido para falar, Jorgin sabe dos benefícios do reconhecimento. “Isso é bom pro funk. Também é bom para os produtores musicais, porque incentiva a continuar na caminhada e que um dia aconteça de conseguir o destaque como produtor”.

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Com uma linguagem musical bem particular, o produtor vem incluindo novas percussões nas batidas que cria e também resgatando o cavaquinho para o funk, abrasileirando cada vez mais o movimento. “Eu já vinha vendo isso há uns anos, quando alguns MCs do Rio vieram com o cavaquinho, como o MC Gibi na época. E toda música que tinha o toque com o cavaquinho, era a música mais tocada na balada, a mais pedida, que as minas dançavam pra caramba”. Ou seja, se elas dançam, é sucesso “Então… eu já via que isso dava bom. E aí veio uma levada de músicas que tinham uma levada dançante e achei que ia ficar legal colocar o cavaquinho”, conta o produtor.

Ao longo de quase seis anos em que vem trabalhando no funk, o tempo trouxe para o produtor maturidade e uma visão mais centrada do movimento do funk. O primeiro estalo que teve foi perceber as sonoridades diferentes do funk do Rio e do funk de São Paulo, com a evolução da batida. “Teve uma época em que o Rio estava criando muito, foi na época do DJ Selminho, entre 2010 e 2012. A gente usava muito as batidas do Rio para colocar nas músicas de São Paulo. Aí, chegou a um ponto que os DJs paulistas estavam colocando as próprias batidas”.

Este momento em que o produtor cita, foi por volta de 2013, quando o movimento de funk ostentação, oriundo da Zona Leste, estava em decadência e o funk putaria, oriundo da Zona Norte, começava a despontar. “Chegou uma hora que São Paulo estava criando muito mais. E aí começou a transformação, de sair do ‘tchu-tcha-tcha’ para o ‘tum-tim-tim’, que foi a época da batida de lata”.

De 3 anos para cá, a batida do funk de São Paulo mudou e evoluiu, mas ainda não se estabeleceu como foi com o tamborzão carioca. Jorgin explica essa evolução. ”E tipo, tem a parada da batida do funk. Não tem mais só o ‘tchu-tcha-tcha’. Ela [batida] vem com um monte de elementos juntos, que estão somando com a batida. Não fica só aquele beat seco”.

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Procurando por mais originalidade para o seu trabalho, além de incluir o cavaquinho, ele também trouxe timbres de outros movimentos. “A maioria dos samples que eu uso para criar a batida é tudo de trap, black, dubstep. São kits de música eletrônica”. E para fechar com toque de mestre, sempre que possível, convida músicos para incluir notas reais. “As vezes eu chamo um músico ou outro para gravar um cavaquinho, um violão, uma parada que não tem como fazer de forma virtual, porque são instrumentos de corda”.

O próximo passo na carreira do produtor é começar a produzir a música por um todo, ao invés de só receber pedidos de trabalho. “Eu quero poder criar sem ter tanta limitação. Às vezes eu fico meio inseguro de colocar uma coisa muito sofisticada e os caras acharem estranho”.

Nesta empreitada, o produtor vai poder colocar em prática ideias que tem e inovar ainda mais. “Eles [os MCs] vão fazer parte da ideia que eu tenho, que é fazer o meu trampo primeiro: uma composição minha, produção minha, videoclipe meu, onde seja um trabalho meu. Ou seja, eu não quero que fique: MC tal, música tal, produção DJ Jorgin. Eu quero um trabalho artístico meu”.

Ao terminar a conversa, saí do estúdio pensando: se o Jorgin trabalhando em conjunto, e como ele disse, sendo só 50% do projeto, ele já tem acertado em diversos trabalhos, o que podemos esperar dele no futuro? Aguarde cenas dos próximos capítulos.

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