Segunda edição do WME da luz ao papel da mulher no mercado musical

Matérias 22/03/2018

*Todas as fotos por: Vanessa Coscia // Portal KondZilla

Como te contamos aqui, o Women’s Music Event (WME) aconteceu no último final de semana, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), e as expectativas do evento foram mais que atendidas! Começando pela organização, comunicação (tudo estava bem sinalizado), a disposição dos espaços de patrocinadores e com muitas mulheres trabalhando (pra não dizer só mulheres, acho que contamos uns 9 homens). Tive o prazer de ir cobrir esse evento e vou passar a visão de como foi, se liga na matéria do Portal KondZilla.

fotos_wme_1Entrada do Centro Cultural São Paulo

fotos_wme_2Stand de ingressos do WME

Na sexta, dia 16/03, aconteceu o primeiro dos três dias do evento. O primeiro painel começou às 12h30 conforme anunciado, com o tema “Publicidade e o limite entre marcas e influenciadores”, com a presença de Raquel Virgínia e Assucena Assucena, da banda “As Bahias e a Cozinha Mineira“, Bia Granja, da YouPix, e a cantora Mariana Aydar, com mediação de Fátima Pissara, da VEVO Brasil. A mesa discutiu o fato de como o mundo da publicidade tenta se juntar cada vez mais à pessoas influentes (o famoso ‘digital influencer‘), e as convidadas comentaram suas vivências e oportunidades de trabalho que surgiram.

Um dos painéis que mais me chamou atenção foi do “Rap: Como um movimento que nasceu no gueto se consolidou como uma das maiores forças da música pop”, com mediação da jornalista Lulie Macedo e as convidadas Karol Conka (cantora), Eliane Dias (CEO Boogie Naipe), Daniela Rodrigues (CEO Foco na Missão) e Nicole Balestro (CEO C E I A Ent.). Por isso, todas as convidadas contaram dificuldades e histórias de como foi empresariar e comandar grupos e eventos tão grandes, na pele de uma mulher – sabendo que o rap é majoritariamente masculino. Além disso, contaram sobre o lifestyle do hip-hop e como esse estilo, nascido nas periferias, se transformou em um dos temas mais requisitados nas grandes corporações atuais.

fotos_wme_9Foto final do painel sobre rap

Aproveitamos o assunto para falar um pouco com a Daniela Rodrigues, sócia da produtora Foco na Missão, além de empresária e esposa do rapper Rashid. Rodrigues comentou sobre a importância de um evento como o WME. “Esse tipo de evento é importante porque tem muita mulher trabalhando, seja na organização quanto fazendo música, mas acontece que sempre ficam escondidas”. O rapper Rappin Hood e  Rashid estavam lá e frisaram o ponto. “A parada que a Dani falou, é louco a quantidade de mina que tem trabalhando nas nossas carreiras. A minha carreira, a carreira do Rashid é toda embasada no trabalho de uma mulher, metade do Rashid é a Daniela. Sem ela as coisas não aconteceriam, quem tá por trás do rapper, também faz parte do movimento rap”. O Rappin Hood concluiu a ideia do parceiro. “Não é possível pensar no rap atualmente sem a mulherada, precisamos delas atuando em todos os lugares”.

fotos_wme_10Rappin Hood, Daniela Rodrigues e Rashid

Nicole Balestro é uma das donas da C E I A Ent, um dos grandes selos da cena do rap atual. Perguntamos à ela a importância de eventos como o WME. “Esse evento é, na verdade, uma abertura de portas para todos os nichos. E estar fora dos painéis e contiuarmos debatendo os assuntos é muito importante. Infelizmente, temos que lembrar o tempo todo o espaço da mulher, principalmente mulheres de periferia e negras, o espaço que nós ocupamos no mundo da música [e também fora dele]”.

fotos_wme_5Nicole Balestro comentando no painel em que era convidada

Outro painel muito importante da sexta foi o “Q&A” [questions and answers – perguntas e respostas, na tradução literal] sobre a vida e a obra da madrinha do WME 2018, Pitty, com mediação de Claudia Assef, jornalista e organizadora do WME. A cantora baiana contou sobre os obstáculos de ser uma uma mulher no mundo do rock e ainda por cima da Bahia, um lugar tomado pelo axé. A cantora falou sobre o trio elétrico “Respeita as Minas”, que participou no carnaval, percorreu o circuito Campo Grande (um dos circuitos mais tradicionais do carnaval baiano), e nos mostrou, em primeira mão, o teaser de seu novo documentário “Do Ventre a Luta“, que estreou essa semana e fala sobre a volta dela para os palcos depois da gravidez e como foi o processo todo de se reencontrar no palco.

Além desses painéis, no dia 16 o evento contou com um debate sobre a magia e o sofrimento por trás do nascimento de um álbum e 4 workshops: beatmaking, discotecagem, gestão de carreira e segurança digital para mulheres.

fotos_wme_3Pitty, madrinha do WME do ano, em seu painel

Já no sábado, dia 17, o dia foi mais tranquilo com menos painéis e workshops. O primeiro workshop do dia era sobre o tema: “Aprenda a Cantar Encontrando a Sua Própria Voz”, seguido dos workshops “UBC Apresenta: Como potencializar os ganhos com sua música”, “Stage Management” e “Editais e Leis de Incentivo, por onde eu começo?”.

fotos_wme_7Equipe da KondZilla cobrindo o painel da UBC

Enquanto isso, os painéis começaram com um tema muito importante no mundo da música: “Direito Autoral: Como determinar a autoria de uma música? Compositores, letristas, quem deve receber pelos direitos de uma canção?”, em que as convidadas Kamilla Fialho (empresária), Angela Johansen (UBC), Lisiane Pratti (advogada) e Tiê (Rosa Flamingo), com mediação de Guta Braga (consultora e publisher do blog Música, Copyright e Tecnologia). A mesa debateu a importância de se registrar uma música e como isso deve ser feito, como acordar com os artistas as porcentagens e explicaram que o ideal, em caso de músicas com parcerias, é combinar com os artistas antes mesmo de se produzir a música. Além disso, explicaram o que realmente é o direito autoral e a importância para um artista de proteger sua produção ou composição.

fotos_wme_4Painel produzido pela artista plástica Mari Mats

O painel de audiovisual contou com o debate sobre VJing, clipe e iluminação como ferramenta fundamental para divulgação da música. As convidadas Elka Andrello (VJ), Vera Egito (produtora Paranoid), Joana Mazzucchelli (Polar Filmes) e Barbara Ohana (cantora e produtora) debateram como é o papel da mulher nos sets de gravação e nas filmagens, contaram experiências pessoais de se gravar em um ambiente de maioria masculina, como no set de gravação, por conta dos engenheiros, técnicos de luz, eletricistas e etc.

Concluindo o segundo dia do evento, tivemos uma mesa que contou com a participação das stylists Anna Boogie e Manu Carvalho e a diretora executiva Mariana Bergel, da Boia Fria Produções, com mediação da Sarah Oliveira (apresentadora). Na conversa, elas falaram sobre como a identidade visual e posicionamento em redes sociais dos artista de hoje ajudam a impulsionar a carreira. Mariana Bergel é manager do Rincon Sapiência, rapper paulista inserido na moda do hip-hop, e conta que o estilo do artista constrói toda a identidade com o público com o qual ele se relaciona e canta. Por isso a importância da estética nos palcos e nas redes.

fotos_wme_8Monique Dardenne e Claudia Assef, organizadoras do evento

Além dos painéis, workshops e shows que aconteceram no CCSP, era possível comprar um passaporte que te dava direito aos dois dias de evento com a programação. A conclusão da segunda edição do WME ficou por conta de diversas festas em lugares diferentes: no dia 16, a festa rolou no Jazz Nos Fundos, com a DJ Nina Becker e Luedji Luna; dia 17 foi no Club Jerome, com Paula Chalup, Ana Helder e Marina Dias. Já o 18 foi somente de festa, para finalizar daora o evento maravilhoso, Karol Conká, Mariana Mello, Bloco Pagu, Lurdez da Luz, Drik Barbosa, Clara Lima e a DJ Mayra Maldjian se apresentaram no House of All (ou House Of Bubbles), num show totalmente de graça e irado.

Para finalizar a nossa presença no WME, conversamos com as organizadoras Claudia Assef e Monique Dardenne sobre o evento e o que esperar dos próximos anos. “A gente está plantando uma semente bem grande aqui nesse segundo ano [de edição do evento], então só de ver o envolvimento, não só das artistas, mas do mercado, do público super interessado, descendo pra ver um painel, os workshops, fazendo pergunta nas palestras […] essa é a mensagem que a gente quer passar, as mulheres sendo ouvidas e valorizadas. Ano que vem, tomara que mais pessoas sejam atingidas e que a mulher seja mais respeitada e ouvida, por causa desse tipo de ação”.

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