Seja produzindo ou cantando, Fioti faz um som que mexe com a gente

Matérias 2017/06/09

*Foto: Ryck Rodrigues // Portal KondZilla

É provável que você já tenha escutado a música “Bum Bum Tam Tam” do MC e também produtor musical, Fióti. A música já ultrapassou a marca de 144 milhões de visualizações no YouTube e tem uma flauta tão envolvente que viralizou no outro lado do mundo, lá na Indonésia. Essa história de ter duas funções no funk é nova, e gera estranhamento, mas se liga na trajetória do cara: como produtor, fez “Arlequina“, da MC Bella, “Periculoso“, do MC Lan e “Vai dar PT“, do MC Rahel, já como MC, ele tem no currículo “Cremosa“, “Você Me Deixou” e “Senta Novinha“. E se depender dele, isso é só o começo.

De cara, perguntamos de onde ele tirou a ideia da flauta envolvente que mexe com a mente de quem escuta essa música. “Foi logo depois do réveillon deste ano. Estava em casa, brisando, e pensei em pegar um ponto de flauta. Pesquisei e encontrei um ideal. Depois de montar todo o beat, fui pensar na letra e acabou fluindo muito rápido. Numa noite, já estava tudo idealizado”, explica o MC. “Ainda hoje não acredito nessa explosão toda, fio”.

Para Leandro Aparecido Ferreira, 23, que no começo de carreira sonhava com no máximo 100 mil visualizações em seu trabalho, ter 1.000 vezes mais que o esperado é de desacreditar mesmo. Esse sucesso não surgiu da noite para o dia. Existe toda uma trajetória, e quem conhece o trabalho dele, que começou a carreira em 2009 como produtor, lá no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo, sabe de todo o esforço que o garoto teve para garantir seu lugar no cenário musical.

Como todo menor brasileiro, o sonho de criança de Fióti era ser jogador de futebol. Porém, tendo em vista a explosão do funk na maior capital do país batendo a sua porta, o caminho da música se mostrou mais interessante. O problema agora era encontrar um caminho para começar.

“Primeiramente, meu sonho era ser jogador de futebol, e eu era um canhotinho dos bons (risos). Porém, fui conhecendo a música e me apaixonando aos poucos. Até que um dia eu vi o MC Zóio de Gato cantar e tive a certeza que eu queria ser igual aquele moleque. Mas no Capão, o que pegava muito era o rap, principalmente com o Racionais. O funk era algo escasso”.

Quem conhece um pouco da música periférica de São Paulo, sabe que o rap dominou a mente dos jovens, principalmente os sons dos “Racionais MCs”. Só no final da década de 2000 que o funk começou a surgir na capital. As letras de funk tinham uma representatividade melhor do momento do país e começou a crescer nas periferias.

Entre o funk e o rap, o funk pareceu mais interessante para Fióti, que estava com 16 anos na época. Só que o produtor teve dificuldades para arrumar dinheiro para as primeiras produções, ou até mesmo encontrar alguém que tivesse habilidade para produzir a música do jeito que ele queria. Foi então que ele decidiu ‘botar a mão na massa’ e produzir por conta própria.

“Eu comecei a produzir porque era a única maneira de eu começar, dar o primeiro passo. Isso era 2009 e eu usava um programa chamado Audacity. Fui aprendendo tudo sozinho, sempre arriscando, tentando inovar. Isso sem deixar de lado o ‘MC Fióti’, que foi evoluindo junto com o meu lado produtor”, explica ele, que usava o codinome de “Orelha” no início.

Fã do gangsta rap americano e da galera dos anos 90 – Dr. Dre., Notorious B.I.G., 2Pac, etc -, Fióti sempre usou os sucessos daquela época como referência, tanto nas produções para terceiros, quanto nas suas próprias músicas. A treta era que, na época, pouco se falava da carreira de produtor musical, o que o pessoal queria saber era do MC. Os empresários tentaram dar a letra para o Leandro, dizendo que ele tinha que deixar as produções de lado e só trabalhar o lado MC. Mas Fióti persistiu, até porque as produções rendiam dinheiro para o garoto.

Mesmo com diversas negativas ao longo da carreira, Leandro tinha em mente o objetivo de ser um MC e também um produtor musical. E no meio do caminho ele encontrou a produtora RW, seu escritório atual, e também o Vavá, um dos executivos da RW e também uma espécie de pai e mentor para Fióti (daí saiu o ‘tipo Vavazinho’, uma homenagem que você já deve ter escutado por aí).

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“Quando cheguei na RW, o Vavá disse que eu tinha que trabalhar tanto meu nome como MC, tanto como produtor. E ele me mostrou que dava para conciliar os dois. Sempre confiei no meu trabalho e as coisas foram acontecendo”, disse.

Porém, Leandro acreditava que estava faltando um trabalho seu, como MC, pois seu nome como produtor já estava consolidado. Em 2016, Fióti produziu ‘Vai Toma’ e foi incentivado a fazer uma participação. No começo, ele resistiu, mas acabou topando a ideia. Outra música que ajudou a dar cara a voz do MC, foi “Senta Novinha”, com o parceiro MC Lan.

A parceria com o MC Pikachu projetou o nome do MC Fióti no cenário do funk. Ele deixava de ser apenas um produtor de sucesso que tentava a carreira também como MC, para ser um produtor e cantor bem sucedido nas duas funções. Produtor de sucesso. Músico de sucesso. Mas Fióti sentia que, por incrível que pareça, ele tinha algo mais a oferecer. E esse diferencial surgiu em “Bum Bum TamTam”.

“Essa música me colocou em um outro patamar. Hoje a galera me olha diferente, e sou grato a isso. Minhas produções, minhas músicas, tudo que faço é para meu público. E que bom que eles estão gostando”.

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Um dos grandes parceiros de Fióti na música é o MC Lan. Ambos vivem trocando ideia sobre música e bolando novos hits. E dificilmente eles falham na missão. Ambos afirmam ter como referência o rap dos anos 90 e usam e abusam das diretrizes do trap, com pontinhos bem gringos.

“Eu e o Lan temos gostos parecidos. Ele entende de produção também, e gostamos bastante de usar um pouco de trap nas nossas músicas. As letras dele conquistaram a favela, é algo bem engraçado. A galera gosta”.

Atualmente, o nome Fióti está presente em diversos sucessos do funk. Ou como MC, como no caso de “Bum Bum Tam Tam”, “Senta Novinha” e “Você me Deixou”, ou como produtor da música, como “Arlequina”, “Vai dar PT” e “Nos Talarico é Bala, Nas Piranha é Vara”. Ele promete que vem novidades por aí, produções e músicas que vão além do funk. E, aproveitando que a maré está boa, não custa traçar objetivos cada vez mais altos.

“Já tenho algumas músicas que puxam meio para o pop, gosto de inovar. Tenho vários sonhos para realizar, e o maior deles é produzir com o Dr. Dre. Hoje, com a internet, quem sabe ele não se interessa pelo meu trabalho, alguém abre essa portinha…”. Se liga no garoto, Dre! Ele está acertando em tudo, hein.

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