A diversidade no fluxo

Comportamento 3 semanas atrás

*todas as fotos por:  Mariana Bernardes // Portal KondZilla

“É o baile da Helipa e tu tem que respeitar, morô?” Essa fala do MC 2K abre o clipe da faixa “Baile do Helipa”, que conta com 16 milhões de visualizações no YouTube. A festa tomou proporções equivalentes aos bailes cariocas, e fez com que o nome do bairro ganhasse o peso para arrastar milhares de pessoas da massa funkeira paulista para o fluxo. Fomos ver o baile na Cidade Líder na zona leste paulista com uma nova cara, o Helipa LGBT+. A festa que teve sua primeira edição em outubro de 2017, no dia 4 de agosto deste ano se juntou à Batekoo para promover mais um evento totalmente receptivo à comunidade em seus mais diversos recortes e criar um espaço onde o fluxo não é só hétero, ele é diverso e as manas jogam de verdade.

As duas festas são aniversariantes do mês, Batekoo com três anos e Helipa LGBT+ completando um ano, então a motivação para fazer um bailão 0800 para os dois públicos que se misturam no mesmo espaço físico não poderia ser mais clara. Kethelyn, que é frequentadora assídua do Helipa LGBT+, bate na tecla da importância de existir esse espaço onde todos são respeitados “aqui é o lugar onde todo mundo se sente bem; seja hétero, seja gay, seja bi ou travesti, sapatão, o que for. Todos se sentem bem aqui pois tem de tudo e de todos. As festas se juntarem foi uma combinação perfeita”.

O público dançava frenético em cima de um carro velho enquanto a enorme parede de som estourava com um repertório extenso, que ia dos quase pop funks de São Paulo ao ritmo da putaria acelerada carioca, passando pelos clássicos nas transições. E realmente se via de tudo, casais héteros ao lado das manas chave da quebrada, ninguém se estranhava e as interações eram sempre amigáveis e divertidas, porém existe um motivo para esse baile ser voltado para a comunidade LGBT: “Acho maneiro além de tudo ser na periferia por que tem muitas gays que não tem esse acesso. É justo ter um espaço que é mais deles, onde se sentem em casa” conta Karen, que estava acompanhado do namorado. Frederico ainda acrescentou “A proposta da festa é essa: incluir. Nem todo mundo pode ir pras festas no centro, então tem que trazer o bagulho pra cá mesmo. Fazer o baile na periferia mesmo que é onde ele pertence”.

Matheus, o idealizador do evento, explicou em entrevista de onde veio a ideia de criar um um espaço de combate que também leva entretenimento ao público: “Meu foco não é dinheiro, é o combate LGBT+ em São Paulo. [A quebrada] tem o seu espaço – existem vários bailes espalhados pela cidade – mas o nosso é o único com foco na cultura LGBT+”. Os 3,2 mil interessados no evento do facebook da edição de aniversário denotam a importância, e principalmente o interesse do público, nas festas.

*Felipe na foto – Mariana Bernades // Portal KondZilla

Criar espaços confortáveis e seguros se mostram cada dia mais importantes dentro do país que mais mata transsexuais no mundo e que lidera os índices de violência ligada à gênero e orientação sexual. A quebrada é diversa e os dois eventos se unem mais uma vez para dar voz à esta diversidade. Felipe, que estava no baile conclui bem o pensamento geral “normal tio! Cada um segue seu baile, e respeito em primeiro lugar”.

Confira mais fotos do baile:

 

 

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