Febre no passado, lan houses ainda sobrevivem

Tecnologia 09/10/2018

Se você é de quebrada, provavelmente demorou um tempo para ter acesso a uma rede de internet na sua casa, a ponto de não conseguir fazer trabalhos escolares, pagar aquela conta ou jogar um game online com os parceiros. Então, a primeira escapatória para resolver esses problemas eram as famosas e conhecidas lan houses, estabelecimentos que tinham a disposição computadores para acesso à internet mediante pagamento pelo tempo utilizado. Eu usei por muito tempo, meus colegas usaram e acredito que você, leitor, também. Como hoje quase todo mundo que conheço tem celular com internet, como será que ficaram esses estabelecimentos? Confira agora no Portal KondZilla.

Segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet (CGI) no Brasil, em 2008 o uso de internet móvel estava em constante crescimento. Já em 2010, nas áreas urbanas isso foi ficando mais evidente com o essa tecnologia chegando a 67% da população, um crescimento grande em relação a 2009, que apresentou um resultado de 16,8%. Por um bom tempo, foi difícil chegar internet na quebrada e a principal rota de escape eram as lan houses: seja para jogar um CS, seja para tratar de serviços que necessitavam da internet (segunda via de contas de água, luz ou telefone, agendamento aos serviços do Poupatempo, etc..) ou para acessar as redes sociais. Geral colava lá.

Eu sou cria dessa geração, inclusive assisti meu primeiro clipe de funk numa loja com internet. Lembro até hoje: MC Boy do Charmes – Megane. Estava fazendo um trabalho de biologia e parei pra ver algumas coisas no YouTube, que na época não era uma plataforma tão hype como hoje. Nesse tempo, o MSN e Orkut estavam em alta e você não tem ideia como era difícil xavecar a crush sem internet no celular.

Bom, o tempo passou e os provedores de internet foram chegando nas quebradas. O valor do serviço entrou no orçamento dos moradores, os celulares foram ficando melhores e mais baratos, a internet móvel barateou ainda mais e virou item essencial na vida do brasileiro. Com isso, as lan houses foram sumindo de vista.

“A principal diferença que notei da última vez que eu fui, era que o número de pessoas utilizando o serviço era bem menor, antigamente tinha até fila”, conta Douglas Santos, 26 anos, que frequentava lan house desde pequeno para jogos online com os amigos até a fase mais adolescentes para trabalhos escolares. “[Na última vez que fui] tinha pouca gente e também acho que as lan houses viraram mais lojas de serviços, onde dão aquela formatada no seu computador, por exemplo”.

Arrisco a dizer que um dos principais motivos para isso acontecer foi o uso de internet móvel por smartphones. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), a proporção de domicílios que utilizavam a internet por celular saltou de 53,6% para 80,4% de 2013 para 2014. Com isso, quem frequentava as ‘casas-de-rede’ para serviços básicos online passou a fazer isso pelo próprio celular e onde tinha uma lan house passou a ser uma loja de salgados, uma doceria, um cabeleireiro, resultando no quase fim das lan houses nas periferias. Serviços que eram oferecidos por lá, agora você consegue encontrar em gráficas ou em lojas de variedades que certamente tiram xerox, realizam impressões de arquivos, fazem currículo ou aquelas consultinhas em órgãos do Governo.

Fornecer outros serviços, além de prover internet, foi a tática usada por quem continua com seu estabelecimento aberto ainda. “Aqui a gente faz qualquer serviço, o cliente não sai daqui sem ter seu problema resolvido”, explica Aparecida Santiago, 40 anos, dona da Lan House G3 em São Mateus, Zona Leste de São Paulo, que está aberta desde 2008, resistindo firme e forte. “A gente faz de tudo pro cliente: conta, segunda via, trabalho escolar, currículo, plastificação. Para conseguir manter aberto, usamos esse método”,

O tempo passou e em 4 anos os números que citei acima não pararam de subir. Segundo a Anatel, 98,2% da população brasileira possui acesso à internet móvel. Em tempos que os celulares viraram peça fundamental no bolso e na mão da galera, você só usa um computador se você trabalha com isso, como acontece em escritórios de contabilidade, redações de jornalismo e produtoras de vídeos – alô KondZilla!

Há modelos de celulares com funções muito semelhantes a de um computador, fazendo a galera optar pelo celular sem pensar duas vezes. Hoje, com apenas R$ 249,99 você consegue comprar um smartphone com acesso a internet. Já para comprar um notebook, você precisará desembolsar no mínimo R$709,49. Com isso, a parada de fornecer acesso a internet por meio de computadores foi perdendo espaço e isso era, basicamente, a função essencial de uma lan house. Hoje, aplicativos que só tinham versão para desktop têm versões mobile, desde editores de vídeos até jogos de resoluções grandes.

“A gente tá num mundo muito tecnológico, a tecnologia vai sempre inovando, sempre tem uma coisa nova”, conta Julia Bandeira, 13 anos, que mesmo não vivendo o tempo das antigas, ouviu muito seus pais falarem sobre esse avanço, principalmente o avanço dos computadores e da internet em suas vidas. “Antigamente, tinha as máquinas de escrever, agora todo mundo tem mais facilidade de acessar a internet, todo mundo tem mais facilidade pra fazer trabalho, acho que mudou bastante”.

Julia é um exemplo de quem não precisou usar a internet da lan house, mas utiliza o espaço por conta do serviço de impressão. Por mais que o tempo tenha passado e a grande maioria desses comércios foram fechando, muitos moradores das periferias ainda frequentam o que restou delas, mesmo com seus smartphones sendo tão atuais e tecnológicos. “Eu sempre dependo da lan house pra fazer trabalho da escola ou alguma coisa do tipo, até porque eu não tenho computador, muito menos uma impressora. Então tô sempre frequentando uma”, diz Julia Bandeira.

“Computador ficou mais barato, o acesso a internet ficou mais barato e as pessoas começaram ter acesso a internet em casa. Aí começa ter smartphone com internet, dá pra acessar o Facebook, ver vídeo no YouTube, as pessoas não colam mais em lan house como antes”, afirma Douglas Santos, resumindo a parada toda. O tempo passou e levou com ele a grande maioria do mercado, trazendo os celulares com funções parecidas ao de um computador e planos de internet móvel que atraem cada vez mais o público. No final das contas, cedo ou tarde a galera vai dar uma raspada na lan pra imprimir um trampo ou pra pedir ajuda nos pequenos serviços.  Porém, foi-se a época de ouro das casas-de-rede.

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